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sexta-feira, 11 de abril de 2014

"Página virada", Carlos Eduardo Novaes (exclusivo para o Blog do PC)

Mais uma análise crua e imparcial de Mestre Carlos Eduardo Novaes. Um presente para os leitores e sócios do Blog do PC, que ele chamou de "colaboração desabafo". E sem mais delongas porque quando Novaes escreve, eu me recolho à minha insignificância de mero coadjuvante.

Diz aí, Mestre:

"Os botafoguenses mais sensatos e equilibrados dirão que a passagem do técnico Eduardo Húngaro pelo Botafogo já é pagina virada. Eu diria mais: é pagina virada, rasgada e jogada no lixo.

Faço votos que Húngaro ainda venha a ter êxito na carreira que iniciou em General Severiano de forma nada promissora. Na verdade seus quatro meses à frente do clube foram de um completo desastre. No inicio da temporada – já classificado para disputar uma vaga na Libertadores -  o treinador anunciou aos quatro ventos que havia feito um planejamento para o Botafogo disputar simultaneamente o Campeonato Carioca e o torneio internacional. Não sei que tipo de planejamento Húngaro tinha na cabeça, mas o resultado – todos sabemos – foi o pior possível. O Botafogo chegou em 9º lugar no Carioca – uma colocação inédita na historia do clube – e ficou em último lugar no seu grupo da Libertadores.

A imprensa vem comentando que o time perdeu qualidade com a saída de vários jogadores. Tal evasão porem, em minha opinião é apenas parte do problema. Taí o Ituano disputando as finais do Campeonato Paulista com um grupo de anônimos e desconhecidos a confirmar a importância de um técnico – no caso Doriva – para o sucesso de um time. Quem vem de longe deve se recordar de Felipão no Criciúma e Luxemburgo no Bragantino.

Nesses quatro meses de agonia o Botafogo foi uma caricatura de si mesmo. Jogou 23 partidas pelos dois campeonatos e venceu cinco! Uma campanha de fazer chorar qualquer torcedor mais fervoroso. Olhando pelo retrovisor constata-se que fora o goleiro Jefferson que se salvou por seu talento individual, não houve nada que se aproveitasse no resto do time, uma comédia – eu diria tragédia – de erros.

Para começar, o Botafogo deve ter batido o recorde mundial de passes errados. Jogadores de valor indiscutível – caso de Lodeiro – não conseguiam acertar um passe de três metros. Você perguntará: é culpa do treinador? Bem, pode ser da psicóloga que não botou os nervos dos jogadores no lugar. Mas para mim é falta de treinamento e organização tática. Quem assistiu a vitória do Leon sobre o Flamengo deve lembrar como os mexicanos trocavam passes de “olhos fechados”,avançando para o campo adversário. Os únicos passes certos que o Botafogo trocava eram entre os zagueiros, monotonamente de um lado para o outro. Como o time nunca teve saída de bola , de repente Dória dava um chutão pra frente na base do “seja o que Deus quiser”.

O Botafogo nunca impôs seu jogo, mesmo contra os pequenos no Carioca. Jogava (mal) e deixava jogar, uma marcação frouxa que oferecia generosos espaços em sua intermediária permitindo aos adversários pensarem e repensarem as jogadas. Frequentemente envolvido – mesmo contra os pequenos – fechava-se na defesa dando a impressão a um torcedor desavisado que esperava uma oportunidade para iniciar um contra-ataque. Só que o time não tinha contra-ataque. Pelo contrário; trocando passes na defesa, lento como uma tartaruga,quando ultrapassava o meio de campo já encontrava o adversário plantado, todo armado. O que fazer então? Jogar a bola sobre a área na esperança de encontrar a cabeça de Ferreyra, algo que quase nunca acontecia.

Lançar bolas sobre a área foi a única jogada ofensiva do Botafogo nesses tempos de Eduardo Húngaro. Curiosamente as bolas eram lançadas mesmo quando Ferreyra não estava em campo! Contra o Union Espanola foram uns 500 cruzamentos, todos inúteis – como se viu – pois Henrique, substituto do Tanque não tem altura nem cacoete de cabeceador. O ataque do Botafogo – sobretudo nos últimos jogos pela Libertadores – foi de uma inoperância comovente. Cheguei a comentar com um amigo que se todos os times tivessem o ataque do Botafogo, o futebol não precisaria de balizas. Talvez nem de goleiro. A exceção ficou por contado jogo contra o Deportivo Quito no Maracanã quando Wallyson gastou todo seu estoque de gols.Um ataque porém – como tudo na vida – não pode sobreviver de exceções.

O torcedor que deixar a paixão de lado e tentar refletir um pouquinho sobre a campanha nesses dois torneios verificará que o Botafogo não tinha ataque, nem pegada, nem velocidade, nem pontaria, nem esquema de jogo e – pior – nem poder de reação. O fato de estar atrás no placar não alterava seu ritmo burocrático, nem mesmo quando empurrado por 40 mil torcedores. Atuações para esquecer.


Esperamos todos que o novo técnico dê vida e sabedoria ao Botafogo e não vou aqui cair no chavão de relembrar tradição e glórias passadas. O Botafogo precisa virar um time de futebol, algo que ainda não foi neste ano de 2014. Mesmo porque se disputar o Campeonato Brasileiro com esse “planejamento” deixado pelo ex-treinador já podemos nos preparar para, ano que vem, acompanharmos o campeonato da Segunda Divisão."  

10 comentários:

Programa Conexão disse...

Não há nada a acrescentar. Aliás, uma coisa apenas: Novaes deve voltar a ocupar com mais constância espaços na mídia. Seu texto faz uma falta tremenda. É mais ou menos como um time qualificado neste deserto de botinudos.

Adriano Ferrarez disse...

Uma coisa a dizer: Sábias palavras do Novaes. Com toda a razão um mestre na arte de escrever.

Mario_av disse...

O Novaes me convenceu do que eu já tinha certeza: Não era o BOTAFOGO.

sergio aguiar disse...

O mestre Novaes continua com texto impecável e ideias claras. O Botafogo é que continua emitindo estertores incompreensíveis. Agora pode um técnico vencedor? Antes não. Claro que nosso presidente está sob forte pressão psicológica e não diz coisa com coisa, nada mais normal. O problema é que ele sempre parece estar sob pressão. Não tem médico no clube que possa receitar um calmante? Pode ser via retal que creio que ele não vai se aborrecer. mais voltando a vaca fria, não devemos dramatizar muito toda essa situação. Drama foram os últimos 4 meses com essa triste figura chamada burrhungaro. Creio que é hora de vislumbrarmos novas perspectivas. Achei a ideia de contratar o time do ituano muito boa. Alguém disse porque não botar o Renato como técnico, já que ele ganha bem e não joga mais e a questão vestiário estaria solucionada. Nesta tragédia chamada burrhungaro, vimos que ele nunca entrou no vestiário do time principal. Eu sugiro que contratemos uma comissão técnica argentina para treinar o time e capacitar ex-jogadores identificados com o Botafogo para formar novos profissionais nesta área, todos compromissados com o clube. Devemos, além de formar jogadores, formar técnicos de futebol. É assim que os grandes negócios prosperam. Quanto ao nosso presidente, ele tem uma presença na televisão e no estádio, muito sombria e negativa. Para seu bem, presidente, e para nosso bem, finja que vai c* e suma.

Ricardo disse...

Perfeito!! Penso da mesma forma.

Frederico disse...

Por falar em "Jogo do Senta", hoje o botafoguíssimo Hélio de la Peña não conseguia sentar no Sportv, segundo ele foi o tamanho da piaba.Cuidado onde sentam botafoguenses! Foram jogar contra o time do Papa e foram papados...

ps. Quando comecei aqui no blog do Guima, para postar bastava entregar um atestado de loucura e comprovar a aprovação no teste da farinha (passei com honra ao mérito), hoje está mais difícil do que preencher aqueles formulários do Imposto de Renda da década de oitenta. Por falar em León, vou de fininho...

pc guimarães disse...

O atestado de loucura continua valendo, Fredera. Já o Teste da Farinha tem que ser renovado todo ano. Mas como vc é da casa, vou pedir ao pessoal pra liberar vc do teste.

Alberto disse...

"Cheguei a comentar com um amigo que se todos os times tivessem o ataque do Botafogo, o futebol não precisaria de balizas. Talvez nem de goleiro."

Perfeito. A defesa e o meio de campo também são horrorosos, mas, realmente, o nosso ataque é fora de série mesmo.

Agora, pior do que tudo são os "profissionais" que montam esse "elenco", que fazem esse baita "planejamento" e contratam e botam pra jogar coisas ridículas como esse botinudo Airton e o Henrique, dentre outros, que não tem a mínima condição de jogarem nem no meu time de pelada.

Fora Maurício Sonegação! Pegue o seu boné e tome uma atitude de homem, pela primeira vez na vida. Renuncie!

Clovis Jonas Pinto disse...

Amigos.

Comentário brilhante!

A propósito, estou lendo "O Balé Quebra-Nós". Uma crítica em forma de crônicas aos fatos que aconteciam na época, escrito ou editado lá em 1979; de Novaes. É muito divertido e parece que foi escrito hoje. Tudo que encontro de Novaes, leio. Quando não encontro em livrarias, vou aos sebos.

Quanto ao Botafogo, pode ter uma porcaria de time, uma porcaria de diretoria, uma porcaria de planejamento, mas tem à melhor torcida. Ter Novaes, Fernando Sabino, mestre PC - e tantos outros - é muita sorte para nós anônimos botafoguenses. Somos uma torcida privilegiada.

Vida longa ao Botafogo!

Vida longa à sua torcida!

Valeu Senhores.

pc guimarães disse...

Obrigado pela força, Clóvis, mas nesse time aí eu não pego nem banco. Também li quase tudo do Mestre Novaes. E ainda tenho vários livros nas minhas estantes. Fora os artigos que li no JB e na Última Hora.