Foto: reprodução da internet
Hoje cedo, zapeando na Rede, encontrei antigos textos meus publicados nos bons tempos em que fui Editor no Rio do "Jornal de Debates", do meu querido amigo Paulo Markun. Como este sobre a tentativa do Romário de fazer o milésimo gol (segundo as contas dele) no Botafogo.
"Diz a lenda do futebol que uma vez jogavam Santos e Vasco e o segundo ganhava do primeiro de 1 a 0. Fontana, zagueiro do Vasco, tri-campeão do mundo em 1970 na reserva de Piazza, era um zagueiro vigoroso, mas pouco técnico e resolveu tirar onda com Pelé. Bem próximo ao Rei do Futebol, chamou seu companheiro de zaga, Brito, titular da mesma seleção e perguntou:
"E aí, Brito? Você ouviu falar num tal de Rei?".
Brito, cauteloso e preocupado, respondeu:"Deixa disso, Fontana. Não provoca o homem!".
Pelé ouvia calado. Fontana insistiu:"Ouviu ou não ouviu falar? Eu não estou vendo Rei nenhum...".
Faltando poucos minutos para acabar o jogo, Pelé fez dois gols e decidiu a partida. Antes de sair de campo, olhou para Fontana e disse:"O Rei sou eu!".
Sou um privilegiado. Vi Pelé jogar e vi Romário jogar. Mas vi também Reinaldo Rei, Paulo César Caju, Maradona, Zico, Beckenbauer, Falcão, Sócrates, Jairzinho, Rivelino, Gerson e, mais recentemente, Ronaldinho Gaúcho. Vi muito pouco Garrincha e Nilton Santos, em final de carreira. Ouvi falar de Di Stefano, de Puskas, de Zizinho, Ademir e Jair Rosa Pinto. Romário disse na televisão que depois de Pelé, vem ele. Seguido de Maradona e, depois de pensar muito, Zico. É. Pode ser.
Ontem eu vi o Romário na tevê. Contra o meu time, o Botafogo. A festa já estava pronta desde a segunda-feira passada, depois que Romário não conseguiu fazer o milésimo gol contra o Flamengo. Achavam que era "carta marcada", "fato consumado" etc. Levaram um troféu horroroso para dentro de campo, a família do Romário recebeu crachás comemorativos e a torcida do Vasco compareceu em peso ao Maracanã. Tudo pronto para a festa. Chegaram a colocar uma rampa de acesso das cadeiras para o campo. O juiz disse que o jogo poderia ser interrompido para as comemorações.
Como sempre acontece nessas situações, não lembraram de combinar com o adversário. E esqueceram que Márcio Theodoro não joga mais no Botafogo e que Romário não é Pelé.
Manchete de hoje no jornal O Dia: "Gol 1.000 no Fogão? É ruim, hein...".
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