domingo, 10 de dezembro de 2006

Crônica - Refresco de tomate

Refresco de tomate
Paulo Cezar Guimarães


Conheci meu amigo Wilson Ricardo Baroncelli na Souza Cruz. Eu era coordenador das publicações da empresa e ele foi contratado para cuidar da assessoria de imprensa da cigarreira, como chamávamos. Outro amigo, o Vitor Sznejder, cuidava da holding.
Paulistão quatrocentão, Wilson chegou ao Rio disposto a incorporar o “carioca way of life” (i said ´way of life´;not gay of life´ - antes que algum engraçadinho lance mão); tanto que só muito tempo depois voltou para São Paulo. Foi morar no Flamengo – mais carioca impossível, né? – num apartamento enorme. Para ir de um cômodo a outro, era necessário usar uma bicicleta ou mesmo pegar um táxi. O corredor parecia a Avenida Paulista de tão grande.

Esperto, inteligente, safo, Wilson logo começou a dominar a Cidade Maravilhosa. Passou a conhecer tudo quanto é rua da Zona Sul, onde morava. Mas nem tanto. Eu costumava brincar com ele, marcando encontros em esquinas impossíveis de serem formadas, como Barata Ribeiro, em Copacabana, com Joana Angélica, em Ipanema; ou Vieira Souto com Miguel Lemos. Wilson ficava em dúvida, dava um sorriso meio sacana, e dizia com aquele tom falso mal-humorado, que quem conhece pode imaginar:

- Deixa de gozação, ô PC.

Almoçávamos sempre juntos, e Wilson gostava de variar. Ao contrário de mim, (adoro bife com fritas), Wilson come de tudo. Aprecia pratos como dobradinha, cozido e coisas do gênero. Com o tempo, conheceu todos os restaurantes próximos à Candelária, onde a Matriz da Souza Cruz funciona até hoje.

Mas tinha uma curiosidade: queria conhecer o famoso La Mole, tradicional restaurante do Rio, paixão de muitos cariocas, inclusive deste que vos escreve. O La Mole tem diversos pratos, mas é conhecido no Rio como um restaurante de massas. Wilson é paulista, recém-chegado ao Rio, imaginei que não se adaptaria muito àquelas “massas”

"Vamos ao La Mole, PC?", vivia propondo, quando saíamos para almoçar.

"Não, deixa para outra hora", esquivava-me .

Um belo dia, não deu para despistar. Fomos. E eu ainda tentei avisar:

"Baron, você é paulista, está acostumado com massa de verdade, com aquele molho que parece feito de tomate ralado que nem queijo parmesão. Você não vai gostar".

Ele não quis conversa. Pediu espaguete à bolonhesa, um dos pratos mais solicitados da casa. Quando o pedido chegou, Wilson fez cara de torcedor do Botafogo quando vê algum de seus craques assediado por outro time.

"Ô PC, isto não é molho de tomate. É refresco de tomate", exclamou, observando o molho escorregar por entre a colher e o garfo que ele tão bem manuseava.

Morrendo de rir, ofereci-lhe um canudinho.

2 comentários:

Aguia Pensante disse...

Vou te falar que fui ah Sao Paulo fotografar um evento e fiquei na casa de uma ex-namorada em Santo Andre. Eles tem um capricho com o "rango" que da ate inveja. Tudo tem proveito e o alimento eh mais saboroso. Descobri que a casquinha da pizza leva recheio, que o queijo quente tem oregano e que o pastel eh todo recheado [e nao so no cantinho, como no chines perto da FACHA]. Eh claro que isso eh reflexo da falta de praia, que faz com que as pessoas nao se preocupem com o corpo e sua exibicao. Dessa maneira, convidar um amigo pra comer aqui no Rio, so se for um peixinho frito na praia, pois so assim voce vai intimidar o cidadao com o fato d`ele ter de usar uma sunga!!!! ahhahahahahaha... agora, cuidado com o que ele vai te mandar fazer com o canudinho!!! abracao PC!!

PC Guimarães disse...

:-)
Tô morrendo de rir, sô! Quem é Águia Pensante?
Charada, nessa altura do campeonato, não vale.
Obrigado pela visita. Volte sempre, Águia Pensante.

Mas sem esse papo de canudinho (rs)